Resistência a antimicrobianos em enterobactérias: foco em carbapenemases

Carolina Silva Nodari, Afonso Luís Barth

Resumo


As enterobactérias representam os principais agentes etiológicos de infecções comunitárias e nosocomiais, podendo ser isoladas de diversos sítios e materiais biológicos. Esses microrganismos podem apresentar determinantes de resistência a muitas classes de antimicrobianos sendo que a resistência pode ser intrínseca ou adquirida e é classificada em quatro mecanismos fundamentais: alteração na permeabilidade de membrana; mecanismos de efluxo; alterações na proteína-alvo do antimicrobiano; e produção de enzimas capazes de degradar antibióticos. A alteração da permeabilidade de membrana, especialmente por modificações funcionais nas denominadas porinas, pode interferir no influxo tanto de β‑lactâmicos quanto de quinolonas. O efluxo das moléculas que permeiam a membrana também pode ser regulado de forma a aumentar a extrusão dos β‑lactâmicos, dos aminoglicosídeos e das tetraciclinas, entre outros. Nesse processo, as bombas de efluxo da família RND são particularmente importantes em enterobactérias, pois são capazes de formar complexos triméricos que transportam moléculas tóxicas do citoplasma diretamente para fora da célula bacteriana, sem passar pelo espaço periplasmático. Vale ressaltar que algumas bombas de efluxo são codificadas por genes presentes em elementos genéticos móveis, o que permite sua disseminação horizontal. Modificações de proteínas-alvo são observadas no desenvolvimento de resistência às quinolonas e aos aminoglicosídeos em enterobactérias, através de mutações nas topoisomerases e nos ribossomos bacterianos, respectivamente. A produção de enzimas pode promover a inativação dos aminoglicosídeos e, principalmente, dos β‑lactâmicos. Entre os últimos, destaca-se a produção de carbapenemases, enzimas capazes de hidrolisar os carbapenêmicos e, em alguns casos, diversos outros β‑lactâmicos. As carbapenemases podem ser classificadas em classes (A, B e D) conforme Ambler e os genes que codificam as mesmas estão inseridos em diversos contextos genéticos, que regulam sua expressão e favorecem sua disseminação. No Brasil, as carbapenemases mais relevantes em enterobactérias são a Klebsiella pneumoniae Carbapenemase (KPC), a New Delhi Metallo-β‑lactamase (NDM) e a OXA-370. Conhecer a epidemiologia desses mecanismos de resistência é fundamental para a implementação de medidas de controle de infecção hospitalar, evitando, assim, a disseminação dos mesmos.

 


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